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Pétalas de Luz! - 36

22/05/2000



O epílogo desta situação desesperada foi o afundamento do Grande Continente de cujos habitantes sessenta milhões morreram no mar, alguns milhares alcançaram as terras que se elevaram a oeste na América formando os povos maias, aztecas, toltecas, incas e outros; parte alcançou a região norte do globo, fracamente habitável e mais tarde transformada em zona glacial, por efeito do desvio do eixo da Terra; parte refugiou-se nas colônias atlantes já existentes, a leste, e a última parte, a mais sã, salvou-se, incólume, na província centro oriental do continente, que não submergiu e que veio a formar a Pequena Atlântida.

No afundamento do Grande Continente, um enorme cometa entrou na atmosfera do globo provocando erupções vulcânicas, abrasamentos, incêndios, maremotos, atraindo a massa oceânica de água a alturas de centenas de metros sobre o nível normal, conforme consta da tradição egípcia antiga e da grega.

O cataclismo atlante atingiu também parte do sul do continente americano, provocando o levantamento da Cordilheira dos Andes com tudo o quanto havia à sua superfície, como o demonstram ruínas de cidades como, por exemplo, a de Tiuanaco, que ainda hoje existem em pontos quase inacessíveis da cordilheira, no Peru e na Bolívia.

É fora de dúvida que a aproximação de qualquer astro pode produzir catástrofes e, segundo cálculos de autores respeitáveis, basta que um cometa, por exemplo, se aproxime a menos de cinco mil quilômetros da superfície da Terra para esvaziar os oceanos e projetar suas águas sobre as terras, em ondulações de quatro mil metros de altura, que bastam para cobrir montanhas.

Por outro lado, a crosta da Terra é extremamente delgada, não passando de sessenta quilômetros de espessura, o que corresponde a um centésimo do raio terrestre. Guardada as devidas proporções, a crosta compara-se à uma tênue casca de ovo sendo, portanto, suscetível de romper-se com a queda em sua superfície de partículas cósmicas que periodicamente sobre ela se projetam, muitas vezes abrindo crateras enormes de centenas de metros de diâmetro e profundidade por pesarem milhares de toneladas.

Na Atlântida, nas duas vezes, foi o que aconteceu, isto é, essas duas ordens de fenômenos produziram cataclismos fatais, mas não por acaso, como é óbvio, mas como programação do Plano Diretor Cósmico, visando o afundamento do continente e o extermínio de grande parte daquela humanidade.

Efetivado, pois, o primeiro afundamento e localizados os seres remanescentes nos pontos a que nos referimos, o tempo transcorreu e a vida retomou o seu curso, apagando as lembranças, as emoções e o terror coletivo, gerado pela catástrofe; e a Pequena Atlântida sobrevivente, floresceu e, por sua vez, tornou-se o habitat do mesmo povo, que se refez como nação, tornando-se também poderoso e influente no mundo do seu tempo.

Vários milênios haviam se passado desde o afundamento do Grande Continente e na Pequena Atlântida, a vida se tornara, aos poucos, uma reprodução exata do que fora a antiga nação: o mesmo povo, os mesmos vícios, os mesmos instintos de violência, dominação, as mesmas mortais ambições de predomínio material, que pressagiavam, em conseqüência, o mesmo fim doloroso e inglório.

Desse fim, novamente uma pequena parcela da população foi poupada, entre ela a comunidade do Mosteiro de Astlan, o templo mais famoso e respeitado do país, corn seus sacerdotes de diferentes graus, discípulos, iniciados e servos. Cabia a eles preservar o patrimônio espiritual recebido e cultuado pelos ancestrais; a herança do Senhor, a ser transmitida a outros homens, outros povos, outras raças, em outros lugares do mundo.

Os sacerdotes perceberam estranhos fenômenos no céu como, por exemplo, um pequeno astro dos mais próximos e que servia de satélite, que começou a aumentar de brilho de forma inexplicável ao mesmo tempo que tremores de terra ocorriam em vários pontos do continente.

As chuvas foram cessando e aumentando o calor, iniciando-se um período de secas terríveis. O grande rio que atravessava a região, de norte a sul, foi decrescendo rapidamente de volume e ventos ásperos sopravam rente ao chão, vindos de sudoeste, levando detritos e cobrindo várias áreas com um nevoeiro fechado, de pó causticante.

O solo estava rachando em inúmeros lugares e das fendas abismais subiam vapores espessos, sufocantes, que se evolavam para os céus, tornando-o cada vez mais baixo, aumentando assim enormemente o peso da atmosfera, fazendo a respiração ficar cada vez mais difícil e angustiante; e o pó cáustico e quente, entrava pelas narinas e boca, matando por asfixia.

Tempestades crivadas de relâmpagos golpeavam a terra de forma súbita e de curta duração; chuvas torrenciais carreavam da atmosfera toneladas de detritos e pó vulcânico, projetando-os sobre os campos e cidades, formando uma lama repugnante e mortífera que em alguns lugares, atingia metros de altura na extensão de quilômetros.

Surgiu no céu um cometa que se aproximava, crescendo de volume e brilho com extrema rapidez; surgiu na constelação de Câncer e em poucos dias ocupava mais da metade do céu, enchendo-o de um fogo rutilante, enquanto que o astro satélite, que havia desaparecido, explodiu no espaço projetando enormes fragmentos sobre a terra e o mar. À medida que o cometa crescia de vulto, o oceano ficava cada vez mais encarpelado, parecendo saltar do leito imenso precipitando-se em monstruosas vagas sobre as escarpas mais altas, submergindo tudo o que encontravam pela frente.

Assim, o recurso da pesca também desaparecera pela fúria ininterrupta das águas, e a fome levava os homens a cavar o chão em lugares mais afastados onde as árvores ainda não haviam secado, para devorarem as raízes, já indiferentes aos animais ferozes que, aos bandos, galopavam pelos prados e florestas desfolhadas.

E, por fim, desvairados disputavam também ferozmente entre si, matando-se uns aos outros nas ruas e nas casas, para saciarem a fome.

Mas ainda estava longe o desfecho de tanta calamidade; em toda a vasta região assolada, desfeitos os laços da disciplina, da ordem e da autoridade do governo, passou a reinar a mais franca anarquia, o mais terrível salve-se quem puder. E as cidades se despovoaram e os campos ficaram entregues à fúria das multidões desesperadas e famintas.

Todavia, em toda a grande região existia ainda um refúgio, o Mosteiro de Astlan, que se mantinha de pé, incólume, funcionando mais ou menos como de costume, atendendo a todos dentro dos limites do possível, oferecendo o consolo da orientação e dos conselhos sensatos e viáveis, chamando a atenção para o significado espiritual e punitivo dos acontecimentos e recomendando o abandono dos falsos deuses, a volta para o Deus Supremo, cuja misericórdia era infinita.

Sessenta dias antes, quando esses acontecimentos entraram em fase de agravamento, os sacerdotes e demais membros dessa comunidade se reuniram sob a orientação de Morevana, senhor do templo, e Astério, o chefe supremo da comunidade religiosa e cuja vida, naqueles dias tristes, era a de um nômade, percorrendo incessantemente o país de extremo a extremo, para orientar o sacerdócio e o povo sobre o culto verdadeiro que nos últimos tempos estava se extingüindo nos meandros sombrios e impuros de cultos amaldiçoados.

Receberam ordens de partir, cerca de duzentos homens em sete barcos, levando os manuscritos do mosteiro, preciosos documentos gravados em lâminas de orialco, metal amarelo semelhante a ouro e de muitas e variadas utilizações entre os atlantes.

Continham o resumo dos conhecimentos das coisas sagradas: a origem do homem, a história da Quarta Raça e dos sete povos que a formavam; as regras e os ritos do culto atlante, para o intercâmbio com o mundo espiritual e os seus porta-vozes; os conhecimentos sobre as artes, a agricultura, a fundição de metais e o fabrico de objetos de uso; a construção de naves para as grandes e pequenas rotas; o levantamento de edifícios e monumentos; o sistema de comunicações rápidas entre lugares distantes; o giro dos astros, suas conjunções e efeitos na vida humana; enfim todos os conhecimentos até aquela data incorporados pela humanidade terrestre, e que assim sobreviviam à extinção da Quarta Raça.

Navegaram durante muito tempo, sob grandes dificuldades e aparentemente sem destino, até que guiados pelo Alto aportaram numa praia; estavam assim transplantados em terras novas, os conhecimentos e tradições incorporados pela Quarta Raça, que na continuidade evolutiva da civilização planetária, deveriam ser herdados pelos homens da Quinta Raça.

Fundaram aí a colônia de Nova Esperança e os anos passaram... muitos deles de progresso e de lutas.

E as notícias daqueles progressos correram e visitantes foram chegando, de colônias atlantes perdidas por aqueles ermos e que dia a dia engrossavam a população; e a colônia cresceu de uma forma incrivelmente rápida, expandiu-se, e em pouco tempo, era como uma cidade cheia de gente, de movimento e de vida.

Pelo mar, de quando em quando, chegavam barcos e todos demonstravam seu espanto por encontrar de forma tão imprevista, uma verdadeira cidade atlante, habitada por homens de sua raça e que como eles mesmos sobreviveram dos cataclismos e perpetuavam as tradições, crenças e costumes da antiga Poseidonis - capital da Pequena Atlântida, já desaparecida.

Em escolas adequadas, os jovens eram educados no culto do amor e da beleza, para que fossem artistas e poetas; recebiam esmerada instrução religiosa transmitida pelos sucessores dos sacerdotes heróicos que vieram com a primeira leva; eram sementes de uma raça nova, forte e sábia, defensora de uma herança cultural e religiosa, destinada a formar uma nova civilização.

Legiões de guerreiros adestrados nos mais sadios esportes, disciplinados e bem armados, defendiam a comunidade, batendo-se vitoriosamente contra inimigos desconhecidos, que por várias vezes atacaram.

E foi assim que a civilização atlante se preservou ali, junto ao Monte das Abelhas, na Arcádia, e se difundiu pelo Mediterrâneo e avançou para a Mesopotâmia, onde quer que se fundassem colônias novas que deram origem aos diversos povos da civilização antiga, aos gregos, egípcios, arcádios e mais tarde os etruscos, judeus, caldeus, assírios e tantos outros que a história registra.




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