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A caminhada na “Montanha Sagrada”

09/09/2013



Vidência – Saí do corpo e fui levada para a Montanha Sagrada no Nepal. Lá chegando, encontramos um grupo de monges, dentre eles o monge chinês chamado Lee em Ching, que foi meu pai em uma encarnação passada e o querido Francisco de Assis.

Em seguida, esse ser maravilhoso e comovente abaixou-se e calçou-me um par de "sandálias franciscanas", dizendo apenas: "esse trecho da caminhada deve ser percorrido com simplicidade". Explicou-me também que haveria pedregulhos no caminho e que descalça, eles poderiam me ferir. Nenhum outro tipo de calçado era possível utilizar; esclareceu que, com as sandálias eu sentiria os seixos sob os pés, mas que eles não me machucariam.

Todos começaram a andar e eu os segui. Havia um silêncio monástico no grupo e tentei silenciar meus pensamentos; comecei então a ouvir a frase: "Senhor, compaixão e misericórdia para toda humanidade". Procurei entrar em sintonia desses pensamentos e seguir-lhes os passos, observando o caminho.

Tratava-se de uma estrada estreita de terra, aberta, na ondulação natural da montanha. Do lado direito moitas de vegetação baixa e bem verdes, como no ambiente de cerrado; e do lado esquerdo um despenhadeiro, também vegetado e que dava para um vale muito bonito. Creio que deva ser o Vale de Wesak, no oeste do Tibet, fronteira com Nepal. Parecia que estávamos bem alto, pois as coisas estavam pequenas lá embaixo, e o ar era bem fresco.

Após certo tempo de caminhada silenciosa, chegamos a um local onde, do lado esquerdo do caminho, ficava um despenhadeiro e havia um caminho de madeira, como se fosse uma ponte reta que terminava num mirante suspenso e coberto também por madeira.

O pequeno caminho de madeira se projetava além, não sei dizer quantos metros, da Montanha, sobre o despenhadeiro, e terminava nesse mirante. A vista era clara, de longe alcance e lindíssima. Logo o monge chinês iniciou uma prece:

– Mestre Maytreia, Buda da Compaixão, dignaste-vos a derramar sobre nós, vosso manto de misericórdia. Rogamos pelos incrédulos para que vosso amor, tocando-lhes as fibras mais íntimas do ser, faça-os sentir e sentindo creiam.

Com essas palavras do monge o céu revestiu-se de cor lilás. Alguém explicou que um dos Mestres da Grande Fraternidade Branca Universal (GFBU), derramou sua Luz sobre a Terra para abrir caminho na psicosfera terrestre para passagem do Buda da Compaixão.

Do mirante, olhando para cima se via o céu e agora ele se revestia da luz verde, manifestação de outro Mestre. Olhando para baixo se via muitas luzes pequenas que se mexiam lentamente. Eram os "caravaneiros" subindo a Montanha Sagrada. Ouvi o seguinte:

– Somos peregrinos da compaixão.

Um silencio respeitoso e profundo a tudo envolvia. Não havia tristezas, nem clamores. Não havia frivolidades, nem pensamentos tolos.

Todos estavam compenetrados num só pensamento: compaixão e misericórdia para a humanidade terrena.

Alguns grupos cantavam lindos mantras ao subirem. Alguns cânticos auxiliavam na respiração de quem subia, outros atuavam na elevação dos sentimentos. Quando um grupo entoava um mantra o outro calava e vice versa.

Mostraram-me diferentes trechos da subida. Em um deles havia barreiras de arame farpado e os peregrinos faziam grande esforço para superar aqueles obstáculos. Alguns tinham suas vestes rasgadas, outros sofriam arranhões. Alguns deles cortavam mais fundo e sangravam muito, precisando interromper a caminhada.

Achei estranha aquela visão e mentalmente questionei, por que aquele trecho da caminhada era tão difícil, ao que o monge chinês respondeu:

– Aquele que caminha sobre a Terra está sujeito a tropeços. Cada tropeço é uma ferida aberta no corpo sutil, a cujo dano corresponde um conserto. O dano pode ser superficial ou profundo, dependendo do tamanho do tropeço.

Às vezes, um arranhão leve é facilmente suportado, outras vezes o arame corta a carne, fazendo sangrar, exigindo tempo para reparar o dano. Outras vezes o discípulo necessita da enfermaria como pouso para os pontos requeridos na ferida.

Como na vida.

Os erros podem ser leves e de fácil reparo, ou podem exigir parada mais demorada, visando a corrigenda necessária. Outros erros nos enviam para ambientes onde necessitamos estagiar, até que cicatrize a ferida que nosso descuido provocou.

A caminhada na Montanha Sagrada é para muitos discípulos da Luz, uma lição.

Todos querem alcançar o topo da Montanha, que representa as "Esferas Superiores da Vida", mas no caminho, é preciso aprender a se portar, a caminhar.

É preciso suportar o desconforto do caminho, pois são nossas lições.

É preciso compreender, refletir, meditar.

Uma palavra precipitada, um gesto agressivo, um pensamento infundado, um ato irresponsável e nos comprometemos.

Após a explicação vi outros trechos do caminho e cada vidência vinha seguida de uma explicação. Um trecho tinha grandes crateras que obrigavam os peregrinos a descer, e depois subir sistematicamente despendendo grande esforço.

– O sobe e desce, representa o movimento de nossas emoções que nos movem para cima e para baixo incessantemente, como numa gangorra.

Havia também um trecho com estrada super estreita e abaixo dela um barranco imenso, de forma que o caminheiro tinha que atravessar grudado na Montanha. Seguiu a explicação:

– Justa medida de progresso, quando desperdiçamos todas as oportunidades e a Lei nos impõe a dor como colheita.

Outro trecho da Montanha apresentava animais que atacavam caminheiros.

– Passar sem ser notado, não despertando as feras. Não ferir, para não ser ferido.

A caminhada pela Montanha Sagrada não é roteiro turístico. Cada pessoa autorizada a transitar por ela, traz uma tarefa compatível com as instruções recebidas por seus Mestres e deve prestar contas de sua aprendizagem ao final da caminhada.

Uma vez por ano, no Festival, muitos Mestres trazem seus discípulos para provar-lhes o progresso realizado. É uma grande honra ser selecionado para iniciação na peregrinação sagrada.

Nos vários níveis de energia, formados pelos planos e sub-planos das dimensões sutis, que constituem a Montanha, há oportunidades de aprendizagem.

A Montanha é ao mesmo tempo caminho e escola, onde o aluno, ao caminhar, coloca em prática seus estudos.

Ela é força e vida para aqueles que comungam da Lei do Progresso. Ela é "Santuário e Altar de Amor a Deus", onde nos prostramos reconhecidos ao Pai por Sua Misericórdia Infinita, e de nós mesmos reconhecidos da imensa inferioridade que ainda nos domina o ser.

Altar de nossas mais elevadas aspirações.

Santuário de nossa evolução.

Portal de Luz, a Montanha Sagrada é a passagem que desejamos percorrer para os Mundos Felizes.

P – Quem sois?

R – Seu Instrutor da primeira hora, Lee em Ching.

P – Aquele que numa encarnação passada foi meu pai?

R – Sim.

De joelhos e profundamente emocionada toquei a ponta de seu manto na minha testa, num gesto tradicional do qual não tinha consciência, mas que parecia estar gravado em minha memória. Pedi perdão pelos erros do passado e agradeci a oportunidade do reencontro.

Lee em Ching

GESH – 25/05/2013 – Festival de Wesak – Vitória, ES – Brasil




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